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segunda-feira, 20 de julho de 2009

A Lua há 40 anos

Querem mesmo que vos diga que me emociono muito mais hoje, com esta proeza da humanidade, do que naquele Verão de 69? Tinha andado por aí uma esperança a esvair-se, todos a concluir que a Liberdade não estava ainda a caminho. A tropa à porta, o caminho da guerrra colonial, a insegurança de quem tem uma família a crescer e um salário incerto.

Mesmo assim, lá rabisquei duas tretas de confiança, num caderno que me havia de acompanhar, no Outono, pelas colinas de Mafra. Se os cosmonautas desciam num Mar de Tranquilidade, para breve estaria a utópica paz e abundãncia por esses continentes terrestres. E foi o que se viu.

Que dizer quando o meu filho André, ainda não nascido naquele Julho, bloga pela efeméride?
Falta prosseguir a viagem pelo Mar da Dignidade.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Lisboa Vegetal




Há uma cidade vegetal. Queiram ou não os patos-bravos e os clientes diários dos "graxas" do Rossio. Confunde-se com os brancos e o céu. Antecipa crescentesde lua-vaga, se prestares atenção. Um palavroso sem tarilhos sobe-e-desce as escadinhas de S. Cristóvão, a mastigar uma ladainha à sua última namorada: O Jacarandá

Em Lisboa
maio junho
em Lisboa
tu verás
jacarandar
em azul
os jacarandás
do Sul.

sábado, 30 de maio de 2009

Dúvida e vaidade

Envelhecer pode tornar-se um atalho para o cartesianismo. Se se levar a sério a breve consideração de J. M. Coetzee, no seu último Diary of a bad year. Será que os meus joelhos aguentam tal flexão, neste caminho sem bengala? Deixa lá ficar os 50 cents na calçada, que a cidade cresce em desabrigo. E desabrigados.

Pelas fragilidades iniludíveis do corpo se aceita a dúvida. E até a dívida. Já paguei para este Carnaval, minha amiga.No final, só nos resta a alternativa pirrónica.



Hoje acrescento, à ideia do escritor sul-africano, a declaração introdutória da autobiografia de David Hume:

"It is difficult for a man to speak long of himself without vanity".

Tenho-me incomodado nos últimos tempos com o papel erosivo da vaidade. Como educador público, espero não ter deixado a imagem de um grande vaidoso. Engano? O que hei-de fazer?Agora é tarde.
No entanto, reconheço as oportunidades perdidas, na sala de aula, para dissecarmos a quimera que tanto atormentava João Crisóstomo: "Ó vaidade das vaidades..." Já lá vai a primavera ufana em que eu sabia escrever isto em grego.

E agora me calo, para não dar razão ao Hume. Tanto mais que estou a tomar o gosto pela vaidade da blogoesfera .

terça-feira, 26 de maio de 2009

Em obras

No grande supermercado, notas de crise reduzem afluência de consumidores. Pelos corredores, comparam-se cêntimos, e reconsidera-se a premência das necessidades. Não leves, querem determinar os homens. Vais ver que faz falta!, a mulher põe no cesto. De onde vêm estas batatas? Do raio que as parta! De França e Espanha, senhores. Portuguesas? Produtos agrícolas portugueses? Não me faça rir, primeiro tinham de morrer cinco milhões. À fome.
Continuamos à espera que as coisas cheguem, não já no bojo das naus, mas no dos camiões TIR. Se fechassem as fronteiras e gritassem: Quem quer boleta que atrepe!, é que seria! Punha-se para aí todo o pessoal a zaragatear contra o governo. Este e todos os outros, passados ou vindouros, que o paisinho sempre foi mal governado. Benza-nos Deus. Para depois se chegar à triste conclusão. Essa mesma: já nem temos terra para cultivar batatas. A não ser que a UE nos forneça subsídios para desalcatroar as estradas. Foi assim que as vinhas, os olivais e a esperança dos agriculturas foram arrancadas há vinte e cinco anos.
E como nos organizaríamos, de modo a que os tais fundos europeus não fossem desviados?


Vamos pagá-las. Não, aqui na caixa do supermecado.Queixas das meninas: sem clientela, custa mais a passar. Nunca mais chega a hora de almoço! Até os restaurantes fecharam por causa das obras. O tempo....? Esqueça, era uma pergunta de velho. Não, faz sentido... O tempo. Aliás, a Administração está a pensar em fazer promoções de tempo. Assim, 'tá a ver, pacotes de três dias, para serem consumidos em 24 horas. Com desconto no cartão-cliente".




Do centro comercial já gigantesco, só o supermercado está acessível. Tudo o resto, parece ruído, poeira, precário. Ampliar a oferta. Confusão geral para os condutores: onde deixar o carro? Como transportar as compras? Para quê, se já era enorme? cada vez há mais deserdados e centros comerciais, neste país.





Calma. Tudo chegará ao fim: as obras, a crise... A beleza das meninas da caixa. E os deserdados?
Deserdado, você? Sim, amigo. Deserdado das paisagens que neste pais foram engolidas por estradas, centros comerciais, empresas falidas... Para ganhar tempo.

domingo, 24 de maio de 2009

Aniversário de Sofia

A alegria das crianças, nas festas dos seus primeiros aniversários, é a mais pura ilusão de nos libertarmos do absurdo. Em nome da vida, só me resta estar atento e servir a alegria das minhas netas. Resistindo contra a usura dos valores a que chamámos "dignidade".

sábado, 23 de maio de 2009

Última, repito eu, tentativa.